
Há um tempo atrás, eu tinha sempre o mesmo sonho, ou pesadelo, uma mão chamava-me e eu a seguia, subia um lance de escadas e quando chegava no topo, o chão desaparecia, e eu caia, tentava segurar-me em algo mas não conseguia, caia e caia sem nunca chegar ao chão.
Acordei varias vezes a gritar desesperada, porque no sonho eu sentia uma angustia tão grande, que me decepava a alma.
Nunca entendi o significado dos sonhos, se são apenas o lixo do nosso subconsciente, ou pensamentos e desejos transformados em imagens, ou ainda se realmente são algo místico, se são a premonição de algo que está por vir.
Quando eu tinha esses sonhos, eu ainda era uma menina ingénua, no sentido de que acreditava que toda a humanidade era inocente até que me provassem o contrário.
E hoje em dia várias vezes uma "mão" estendeu-se em forma de convite, e eu, sempre optimista, sempre a agarrei, e a verdade é que toda vez que estava no "topo", eu cai, não dizem que quanto mais alto, maior é a queda?
Mas a vida é feita de escolhas, não somos obrigados a nada, temos o livre arbítrio de continuar ou partir, verdade? meia verdade, existem sentimentos dos quais não são fáceis de fugir, "terás de ser muito determinada", foi o que disseram-me uma vez, mas será que valhe a pena? esses sentimentos...será que eles são tão bons assim, para nós? "Você tem o dom de sentir as coisas com o coração", isso não é um dom, é uma maldição!
Cada dia que passa tenho mais certeza que é karma, de certeza eu fui algo muito mal na minha vida passada, e tenho a impressão de que numa delas eu fui o Jack Estripador, por isso agora sou condenada a sentir-me aos pedaços.
Meu espírito está demasiado cansado dessa vida, sinto-me a correr no meio de uma maratona que nunca chega ao final, eu corro e corro e nunca atravesso a fita amarela.
Os abismos sempre fizeram parte da minha vida, e como tudo em mim, ou eu caio a 100% ou nunca subo as escadas, acontece que eu nunca consegui fugir de um sentimento.
Não tenho paraquedas, as minhas asas estão partidas, e o meu coração transformou-se num buraco negro.
Estou a cair...quem vai apanhar-me?





