sábado, 11 de abril de 2009

Devaneios

Hoje a saudade é a minha única companheira...
Tantos rostos me assombram, tantas lembranças, tantos sonhos irreais... Já estou tão cansada deste carrossel de emoções, tenho os olhos a arder das lágrimas que teimam em rolar...
Esta carência irritante, esta...porra nem sei, esta vontade de correr até uma casinha de varanda com grades de estrelas, e gritar: "Mãeeeeeeeee".
Odeio ser esta criança pequena no corpo de uma adulta, de ser este ser carente e frágil, que não pode adoecer que só pensa na mãe.
E hoje eu passei o dia a ver famílias a passear, a rir juntos, a partilhar momentos especiais, e eu me dei conta, mais uma vez, que eu estou a perder todos estes momentos, que nunca mais voltarão a se repetir.
Ok! Eu sei, eu sou uma idiota, eu sou uma imbecil, infantáloide, cresce pelo amor de Deus Carolline!!!
Eu só queria...não me sentir assim...
Eu fecho os olhos e já não consigo materializar os rostos, e isto me assusta tanto, e o céu hoje não tem estrelas, porque todas as vezes que me sinto assim as estrelas me abandonam???
Eu odeio tanto os meus sonhos, pois são uma brincadeira cruel da minha mente, e as vezes eu acordo deitada no chão de uma cozinha de azulejos gelados, mas meu Deus...ela está tão distante, porque eu tenho de sonhar com ela? Me deixa esquecer, me deixa endurecer, me deixa perder esta criança que teima em crescer, por favor meu Deus, devolve as minhas estrelas.
Porque não posso apenas ser uma estátua de pedra? Porque tenho de ser esse monstro de emoções?
Eu estou tão, mas tão cansada...



sexta-feira, 10 de abril de 2009

O amor é um lugar estranho




"O que a gente não faz por amor...?"
Marisa Monte, "Bem que se quis"




As vezes me pergunto qual será o limite da minha alma, até onde ela será capaz de ir por amor ou ódio?


Há algum tempo atrás eu dizia "eu jamais faria isto ou aquilo", mas com o passar dos anos descobri que "a ocasião é que faz o ladrão", e eu já fiz muito "isto" e "aquilo" então já até perdi a conta.


O facto de não ter limites assusta-me, pois me sinto como uma tempestade sinistra que nenhum meteorologista consegue prever, até eu mesma fico surpreendida com o ponto que sou capaz de chegar por amor...


O amor para mim é aquela casa mal assombrada que todo bairro tem, ele está lá assustador e misterioso, e eu sei, que a partir do momento que abrir as suas portas e mergulhar no seu interior, não haverá volta.


A verdade? o único medo que tenho é de mergulhar tão profundamente que acabe por me perder, o meu maior pavor é de não me reconhecer mais, é de transformar-me num ser pequeno, eu adoro ser gigante.


Então o amor bate na sua porta e pede para você lhe dar a mão, porque isso me mete nojo? porque da-me a mesma sensação de quando subo no parapeito de um prédio alto? Sinto vontade de me jogar, de voar com o ar, mas lembro sempre de que quando chegar no chão só sobrara de mim sangue e tripas.


Onde está a tal sensação de "borboletas no estômago"? O equilíbrio? As 7 maravilhas que dizem vir juntamente com o amor?


Sofia Coppola tinha razão, "o amor é um lugar estranho", e eu sinto me como uma despatriada, sem passaporte, num país de língua estrangeira.


Filosofias baratas a parte, não tenho vontade nenhuma de ser deportada.


"Eu tenho as mãos atadas sem ação
E um coração maior que eu para doar
Reprimo meus momentos
Jogo fora os sentimentos sem querer
Eu quero é me livrar
Voar..."
Zélia Duncan, "Mãos atadas"



quinta-feira, 9 de abril de 2009

La vita è bella


A primavera deixando a minha varanda mais bonita.

A vida é tão absurda que seria um absurdo não viver...


O único defeito que não consigo suportar numa pessoa é ela ser negativa, não consigo de forma alguma estar do lado de alguém que diz o tempo todo que a "vida é uma merda" e bla bla bla...


Isso porque eu sou uma vampira de vibrações, e quando alguém desse tipo para do meu lado...eu vou ficando meio down...


Sinto uma necessidade enorme de experimentar todas as sensações de estar viva, de amar, de desamar... de viver, e morrer também... E quero tudo isso embrulhado para presente, com um lindo laço vermelho...


Por isso quando me dizem: "Oh Caroll, és tão corajosa...", eu respondo sempre: "Eu não sou corajosa, eu sou é viva!".

Coragem tem aqueles que não tem medo, os bravos não pensam, simplesmente agem, e eu penso, enraizaram o medo de perder dentro de mim, e muitas vezes ele sai vencedor...


A diferença entre eu e o resto da humanidade, (?), é que eu sofro de uma ansiedade cronica, e o meu pensar as vezes é mais rápido que a velocidade da luz, sei lá se isso é bom ou mal, como diz uma amiga querida: "isto apenas é ser Caroll".


E hoje de manhã eu acordei com vontade de viver, de ver, de sorrir, de brincar, de ser criança... e fui fazer uma longa caminhada de 3hs, porque essa coisa de estar viva dá uma fome brutal...
Valeu mesmo a pena levantar o rabo da cama as 8hs da madrugada, mas as imagens falam por si...

Fotos tiradas na bela manhã de 9 de abril....













quarta-feira, 8 de abril de 2009

Sobre o desejo...


Ella acordou sobressaltada, e ao sentir as mãos dele a lhe abraçar, o seu corpo relaxou, e a sua boca, a tão adorada boca, desenhou um enorme sorriso, e saltou para cima de seu amado, como só uma Ella infantil sabe saltar.

Ella: Ainda tas aqui... (era uma afirmação mas tinha a entoação de uma pergunta).

Elle: É claro que estou aqui sua tonta, aonde mais poderia estar.

Dito isto, Elle agarrou Ella pela nuca, e deu-lhe um beijo apaixonado, como só um Elle maduro consegue beijar...

Ella: Ai amor...eu ainda não lavei os dentes...das-me um minuto e já volto... (disse uma Ella envergonhada e afastando-se em direcção a casa de banho).

Entretanto o seu Elle era mais rápido, saltou da cama num ápice, prendeu as duas mãos de Ella atrás de suas costas, encostou os seus lábios quentes, ah como Ella adorava aqueles lábios, no seu pescoço desnudo, desceu até a clavícula, ai... Elle conhecia todos os pontos fracos de sua Ella, e sussurrou baixinho no ouvido de uma Ella já quase desfalecida...

Elle: Aonde você ia mesmo...???

Ella: Vol...voltarrrr...pra camaaaa...???

Elle: Hum...me parece uma boa ideia, e o que você quer fazer na cama...??? (oh! como Ella o amava).

Ella: O mesmo que nós fizemos ontem e antes de ontem, e antes, e antes.... (pausa para um grande abrir de lábios em forma de sorriso), quero ser tua mais e mais e mais uma vez...

Elle, que já tinha o corpo a tremer de desejo, aninhou sua Ella nos braços, deitou-a no leito que já tresandava ao amor dos dois, pousou o queixo em cima de sua mão, olhou para sua menina com um olhar de amante rendido as suas vontades, e disse baixinho...

Elle: Seus desejos são uma ordem, minha Rainha...

E foram com estas palavras que a Estranha acordou, e abraçou o seu Estranho com toda a violência de um amor intemporal.

Naquele momento acordei, o outro lado da cama continuava vazio, assim como o meu corpo, na minha cabeça ainda ouvia o grito de dor da Estranha, me culpando por a ter tirado do seu paraíso, Ella também sofria, fez birra e ficou de mal com a metida da Estranha que sempre aparecia onde não era convidada, mas fiquei mesmo com pena foi da Outra...pois de tanto ter medo do desejo, não o conseguia materializar nem num sonho.

Sobre regras, normalidades e banalidades...

Eu e o meu Carnaval frustrado...


Outro dia comprei um livro caríssimo de Escrita Criativa, porque queria melhorar o meu escrever, torna-lo em algo "sofisticado".


Mal entrei no autocarro comecei logo a folhear o tal livrinho, dei logo de cara com o que o autor dizia ser uma das principais regras de um bom texto: "nunca nos centrar em nós mesmos, porque o resto do mundo pode não nos achar assim tão interessantes", fiquei tão puta com aquilo que quase joguei o livro pela janela, como não queria acertar a cabeça de ninguém, que não fosse o tal autor, esperei até sair do autocarro e o joguei na primeira lata de lixo que me apareceu na frente.


Um minuto depois voltei atrás, agarrei no tal livro, cheia de raiva de mim mesma, pois tinha quebrado uma das minhas regras: "nunca desrespeitar um escritor, mesmo que não concorde com aquilo que ele tenha escrito".


Na verdade o que me encheu de ódio, foi o facto de sentir que aquelas palavras haviam sido escritas para mim, era como se aquele homem que nunca me viu na vida, e nem faz ideia da minha existência, tivesse dito:"Carolline, a tua vida não é assim tão interessante, por isso inventa uma melhor e se concentra nela".


Que cara idiota, quem ele pensa que é? "vou mostrar pra ele que a minha vida é "super interessante", e ele vai ter de escrever outro livrinho caríssimo a contradizer o que tinha dito antes, ah pois vai".


Isto era eu a tentar me enganar, acontece que a minha vida é tão parada como um hotel de mosquitos transmissores da dengue, e que o tédio é o meu viver constante.


Não é que não não aconteça nada "surreal" na minha vida, o meu próprio respirar não é nada dentro daquilo que as pessoas consideram "normal", mas é que olhando com os olhos da minha menininha interior, caramba, falta tanta coisa.


Ok, aqui estou a quebrar mais uma regra, a escrever mais um texto egocêntrico, me concentrando apenas na minha vidinha sem graça, mas venhamos e convenhamos... transgredir regras é mais delicioso que sorvete de baunilha com pepitas de chocolate.


Talvez por ser uma transgressora por natureza, tenha me apaixonado perdidamente por alguem que contraria as minhas próprias leis.


Todos nós precisamos de um porto seguro, e o meu são as minhas vontades, é mais fácil determinar que eu aceito e quero aquela, ou, outra coisa, do que simplesmente deixar a maré me levar, a maré é inconstante e nunca sei em que praia o meu navio irá aportar.


O problema é que eu não tenho um só pensamento, existem várias mulheres dentro de mim, e agradar a todas ao mesmo nível é uma tarefa quase impossível.


Enquanto uma quer apenas levar, a outra quer apenas ser levada, e ainda existe aquela que quer levar e ser levada, complicadas essas mulheres...


Eu, Carolline, até hoje não decidi qual é a minha preferência, a única coisa que sei é que odeio a solidão, detesto o abandono, e sofro de uma ansiedade sufocante.


E hoje aprendi uma coisa nova, que a vida assim como o amor não é linear, e as vezes, só as vezes temos de ouvir todas as mulheres que temos dentro de nós, e tentar chegar a uma conclusão, eu cheguei a minha, levar e ser levada, e seja o que Deus quiser.


Quanto essa coisa de sofisticar a minha escrita, pelo amor de Deus vão para o caralho, existe coisa mais bela do que um escrever politicamente incorrecto???


Eu sou uma potencia sem controlo, e quer saber? sou egocêntrica o suficiente para admitir que eu me adoro por isso!


E tu, meu Venusiano, és um homem de sorte, enquanto a maioria da raça masculina tem de se contentar em deitar-se apenas com uma mulher de cada vez, tu levas quatro de uma vez só!!!


terça-feira, 7 de abril de 2009

Ssshhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!!


Quando você tem três personagens entranhadas bem no meio do seu ser, tudo, mas tudo mesmo, pode acontecer, até ser acordada de manhã com um estranho coral a cantar dentro de si...


8Am, A chata da Estranha que esteve toda a noite a sonhar com não sei o que, sim porque ela faz mesmo juz ao nome que tem, só me deixa aceder as informações que ela quer que eu saiba...enjoada.

Acordo com a vosinha da Lisa Ekdhal a sussurrar dentro de mim, estranhamente sua voz sai da boca, diga-se de passagem metaforicamente falando, porque eu nunca vi a boca da dita-cuja, da Estranha...além de estranha é egocentrica, voz da Lisa Ekdhal...aham tá bem tá....


"Sshhhhhh
Shhhhhhh
It's, oh, so quiet
sshhh shhhh
It's, oh, so still s
sshhhhh shhhh
You're all alone
shhhh shhh
And so peaceful until..."

Oh mulher, cala-te com isso! Deixa-me dormir que ainda é cedo..., tentar mandar nestas três é o mesmo que tentar mandar numa criança, quanto mais você pede para parar...

"You fall in love

Zing boom

The sky up above

Zing boom

Is caving in

Wow bam

You've never been so nuts about a guy

You wanna laugh you wanna cry

You cross your heart and hope to die"

Ella, pelo amor de Deus, só podia ser mesmo tu com isso do "zing boom", até tu sua mimada, vem me acordar essa hora da madrugada??? DEIXEM-ME DORMIR!!!!

"'Til it's over and then

shhhhh shhhh

It's nice and quiet

shhhhh shhhhh

But soon again

shhhhhh shhhhh

Starts another big riot"

Aiiiiiiiiiiiiiiii, "shhhhh shhhhh", digo eu!!!! Só podia ser mesmo tu, Outra, até numa canção consegues ser pessimista!!! Quando você não pode com o seu inimigo...

"You blow a fuse

Zing boom

The devil cuts loose

Zing boom

So what's the use

Wow bam

Of falling in love"

A Estranha , ciumenta do jeito que é, não gostou da minha intromissão, oh mulher já que vocês me acordaram me deixa cantar também né!!!!

"It's, oh, so quiet

It's, oh, so still

You're all alone

And so peaceful until..."

Sim, sim, esta era minha vida antes de vocês chegarem, tão quieta...

"You ring the bell

Bim bam

You shout and you yell

Hi ho ho

You broke the spell

Gee, this is swell you almost have a fit

This guy is 'gorge' and

I got hit

There's no mistake this is it"

Eu sei Outra, eu sei...Mas ouve essa parte...

"The sky caves in

The devil cuts loose

You blow blow blow blow blow your fuse

When you've fallen in love"

E isso não nos faz sentir mais viva???

"SSShhhhh...!!!"


Gritaram as três juntas, o que me faz desatar a rir, se o amor na voz feminina é complicado, imaginem o que é ter um coral de vozes tresloucadas a cantar dentro de si...



"SSShhhhh!!!!"

"Lie with me"


Peguei carona no titulo de um filme que ainda não vi, mas que me seduz, para escrever sobre alguém que não conheço, mas que amei desde o primeiro minuto que conheci.


Não te quero provar apenas, quero te absorver em mim, em cada tragada do meu cigarro que seguro com os dedos trémulos porque penso em ti...

De certa forma te quero por luxuria, porque não posso te ter, porque és uma doce e sedutora mentira, como um Diabo, que nos envolve com seus mistérios e promessas e nos faz cair em tentação.

Te amar é o maior dos pecados, é comer, não só o fruto, mas toda a árvore proibida, e as tuas promessas trazem todos os 7 pecados entranhados nas palavras que tão docilmente deitas nos meus ouvidos.

És mesmo amante do sofrer e do fazer sofrer, pois mesmo com todos os meus apelos não descansaste enquanto eu não pronunciei o meu amor por ti, mas se quebras as tuas juras mais pequenas, como podes cumprir a maior de todas, me amar até que o tempo torne-se escasso?

O meu maior desejo era acordar amanhã e não saber da tua existência, isto me pouparia muitas incógnitas que tenho ao teu respeito, e que tu teimas em não esclarecer.

Decoraste, como um guião, todas as falas da minha personagem, todas as lamurias, todos os desejos reprimidos, e apenas dizes aquilo que eu gostaria de ouvir.

Como podes pedir que caminhe ao teu lado, com a minha mão sobre a tua, se o teu caminho foi desenhado para seguir sozinho? Tu não és de ninguém, e eu não quero alguém que não pode ser meu.

As minhas três esferas, brilham quando te lêem, e não é justo que nos faça isso, por isso te imploramos que vá embora e nos deixe viver em na nossa falsa paz.

Não, eu não quero apenas te provar, não quero ser mais uma musa no meio de tantas, antes quero ser o teu farol, o teu porto, quero ser a tua morada, a tua vida, e menos do que isso...é impossível de aceitar.

Por isso te imploro, te peço de joelhos, que não me ame do teu jeito, mas que me ame do meu, deixa-me escrever a nossa historia, do meu jeito torto e desajeitado, mas com a esperança que o infinito nos acompanhe.

Só posso ser tua quando tu fores meu sem aspas nem virgulas.